“E tem umas coisas nada a ver que deixa a gente triste né? Umas coisas que parece que o resto do mundo não ia entender se você parasse pra contar. Porque o resto do mundo sempre tem algo mais importante pra fazer do que parar, sentar e te ouvir. E quebrar a cuca um pouquinho pra tentar entender você. Tem umas coisas que a gente guarda em um cofre, e esquece da chave, esquece por medo. Porque tende a esquecer. Tem umas coisas que ele diz pra mim as vezes que parece que é verdade. Parece que vai fluir. Tem uma coisas que ele não diz, mas que mesmo assim,parece que foram ditas. No final da tarde quero encontrar você que me instiga a sorrir, que abre os braços pra me receber, que faz cara triste quando vou embora e diz:”fica”. No final da tarde quando começarem a ligar as luzes dos postes, vou te esperar no vento gelado, no lugar de sempre. Quero encontrar você que me permite passar a mão no cabelo seco, preto, ruim (…) Encontrar você que me embala nos abraços. Que me recebe com olhar de criança de cinco anos. Que faz carinho pra me consolar. Que me protege do frio. Que beija minha mão, minha nuca, meu pescoço, minha testa… Sabe você? Do jeito que é, que vem sendo e que, por favor, se meus anjinhos forem bons comigo, continuará sendo assim. Eu sei, você sabe e todo mundo já tá meio careca de saber que você não deixa as coisas tão claras e nem dá um stop no seu dia pra me escrever alguma frase bonitinha e nem dedicar uma musica pra mim. Mas tudo bem, continua sendo você, desse seu jeitinho que eu não sei o que tem, mas me deixa toda boba. E confesso, com uma vergonha extraordinária que nunca pensei sentir por causa de menino nenhum, eu gosto de ser boba assim, de achar que toda essa bobice da minha cabeça é culpa sua, e esse meu jeitinho criado pelo seu jeitinho de ver coisas bonitas onde não existe nada, coisa de gente boba! Que mania absurda a minha. De ver coisas onde não tem. As vezes com o seu jeitinho consegue fazer tudo pra me irritar. O gilete sujo de sangue da barba mal feita em cima da pia e tal. Mas eu acabo me tocando que é desse jeitinho que eu gosto. Que é da barba mal feita que eu gosto quando passa pela minha pele. Vamos quebrar as regras, e sejamos claros: é de você que eu preciso. Preciso tanto que troco minha cama agora, pra escrever pra ti. Esqueça as promessas. Cumpra o agora. Sem restrições… Tudo bem se der tudo errado pra gente, convenhamos: nunca fomos aquele tipo de casal que as menininhas desiludidas ficam bisbilhotando pra tentar se apaixonar também. Descobri que gosto até daquelas nossas brigas que quando terminam a gente se beija rindo por não lembrar o por quê de terem começado. Gosto do jeito que você me olha pra pedir desculpa mesmo eu sabendo, bem no fundo, que não passa de irônia e num pouco de piedade pela minha cara de dó que sempre insisto em fazer por saber que você não resiste. A gente adora fazer as coisas um pro outro, ainda mais quando sabemos que não resistimos. A gente não resiste ao que achamos ser existente entre a gente. A gente não resiste à acordar no meio da noite e olhar um pouquinho o outro dormindo só pra tentar decifrar como é que está o sono. A gente não resiste acordar tarde no domingo e ficar discutindo aonde é que vamos arranjar o que comer porque todos os restaurantes já desistiram de esperar por nós. Não resisto a esperar você chegar todo suado do futebol e vir tentando me abraçar só pra gente ficar brincando de pega-pega pela casa e acabar debaixo do chuveiro. Você não resiste, eu sei, quando chega em casa cansado e eu tô na cozinha, com a sua camisa preferida, esperando com o jantar pronto. Não resisto ao seu beijo. Você não resiste ao jeito que faço caretas pra passar maquiagem. Não resisto à como você me olha quando estou me trocando. Você não resiste ficar na sala enquando troco de roupa. Acabamos sempre na cama, nos beijando como se fosse o primeiro encontro, e atrasamos, logicamente, pra qualquer que seja o compromisso chato que teremos que aguentar. A gente não liga, a gente não quer ligar. Nenhum resiste a nenhum. A gente não resiste amar tanto. Se olhar tanto. Sorrir tanto. O importante é a gente. Sempre foi. Nunca escondi que sempre foi com você que eu imaginava meu futuro privilegiado e bem súcedido. Era com você que eu imaginava as dores nas costas depois de passar a noite na praia com a fogueira acessa. Não faz sentido alguém existir tanto dentro do outro como você existe em mim. Não era amor. Mas a vontade de ficar perto, usar o teu moleton largo, fazer chocolate quente no inverno pra ti, é maior que tudo. Era extraordinária a forma com que você conseguia levantar os 28 músculos que eu precisava pra sorrir. Mas não era amor. Desde depois daquele abraço em seguida de beijo na testa fico me perguntando porque dhaxo essas coisas simples mexem tanto com a gente. Porque dhaxo você mexe tanto comigo. Porque alguém tem o cheiro assim? Como o teu? Mas era o teu cheiro. Sempre foi. Sempre foi minha queda. O feitiço. O que me fazia gamar. Esse era o problema-ou a solução. Não era amor. Era melhor.”
Complô meu e da linda da Luisa menin.

Nenhum comentário:
Postar um comentário