sexta-feira, 22 de julho de 2011

“Jogar um balde de água fria por cima de tudo não vai ser nada fácil. Ter que jogar fora o lenço umedecido, jogar fora o cupom do prêmio que você ganhou, mas que já não vale mais nada é duro as vezes. E as marcas ficarão-tatuadas…é claro. Ter que comprar uma nova panela pra fazer uma boa comida, porque você sabe né, a gente sabe, as panelas não funcionam mas como antes. Dizer que tem algo  pra falar e não poder dizer é duro as vezes. Eu sei disso menina. Mas tem horas que parece que essas coisas não passam. Tem horas que dá vontade de voltar no tempo e ficar mais perto, mais abraçado, mais olho no olho. Lindo demais. Tem horas que a gente acha que é eterno mesmo…E sabe aquele dia que você tava aqui em casa e a gente prometeu ver o pôr-do-sol juntos no dia do meu aniversário? Então, parecia eterno naquela hora. E parecia eterno também toda vez que minha vida parecia estar em câmera-lenta só porque eu tava te vendo vindo na minha direção, e quando eu parava de me importar com tudo o que poderia acontecer no momento só porque eu observava o quão lindo era - e ainda é, eu sei - o seu sorriso, só porque eu tava escutando aquele barulhinho que você faz quando dá risada e que me deixa dando risada também. Você fazia parecer eterno, eu achava que a gente era eterno. Era pra ser, não era? Eu ainda faço a gente ser eterno, faço sim, toda vez que acordo pensando em você, pensando em como faz falta acordar com o som dos barulhos que você tentava, tentava mas nunca conseguia deixar de fazer no meu banheiro todo arrumadinho. Eu faço a gente durar ainda toda vez que pego nossas fotos e fico vendo, revendo, lembrando do quanto você fazia meu olho brilhar ao ouvir seu nome. Lembrando do quanto o seu suco de laranja era bom e o quanto eu gostava quando você chegava em casa a tarde e me pegava dormindo, aí você ia me acordar todo cuidadoso pra não me deixar de mau-humor, lembra? Meu querido, mal sabia você que não tinha como ficar de mau-humor olhando pra esse seu rosto todo feito na medida certa pra combinar com o meu, né? E te sacudir, e te apertar e dizer que você é um boboca por não reparar nos pequenos detalhes que eu transpareço o tempo todo. Eu não sei porque com você é diferente, não sei porque o que a gente vive junto, e sente junto, eu não sinto com mais ninguém. Não sei porque posso estar com um cara melhor do que você, mas mesmo assim preferir a sua companhia.  Mas um dia você vai perceber a falta que brigar por causa do controle vai fazer. Um dia, quando nada estiver passando na sua televisão velha além de propagandas políticas, você vai olhar no relógio perto das 14:36 em uma quarta-feira e vai lembrar com quem era que você devia estar ali, do lado, abraçando, romântico. Vai lembrar que deveria estár com a garotinha de cabelo cor de mel perto de você, porque você  pode discordar dela, mais é para o colo dela que você corria direto toda noite. E todas as coisas que você imagina passar com alguém um dia você imagina a noite, no travesseiro. Mesmo quando você não quer imaginar nada, é difícil de ignorar. De maltratar. Fingir que tá tudo bem do jeito que tá. Porque eu te conheço. Sei que você é um moleque ainda, meu moleque. Sei que abaixa a cabeça quando te falo de outro cara, e sei que me olha curioso quando começo a falar que ele não era como você. Porque você sabe que eu sempre vou preferir a sua infinita companhia no boliche, do que a de qualquer outro cara. Porque você sabe que quando decido correr na rua sempre acabo parando quando passa um cara alto e magrelo, e eu começo a me arrumar toda, mesmo suada, por medo desse cara alto e magrelo ser você. Você sabe que quando vou ao barzinho com um outro cara fico torcendo pro perfume dele ser parecido com o seu porque eu já não suporto mais a falta que o teu cheiro me faz. Não dá mais pra chegar em casa e não ter ninguém me esperando com o maldito suco de laranja delicioso. E não dá mais, meu moleque, meu querido, meu, só meu, não dá mais pra ir dormir sem ouvir o silêncio barulhento que a gente fazia no telefone. Não aguento mais essa história de te escrever as escondidas, de chorar ouvindo aquelas musicas ruins que me lembram você. Tudo tá me fazendo lembrar de você, tudo tá querendo você do meu lado, de novo, pra gente fazer ser eterno, como tem que ser. Meu moleque, eu reclamava reclamava mas eu adorava o jeito que você brincava com o meu pé enquanto eu tentava prestar atenção na sessão da tarde que eu jurava estar passando um filme legal. Meu querido, eu sinto falta de você me abraçando no meio da noite, bem devagarzinho, bem apertadinho, do jeito que dava pra ser naquela sua cama ruim que nos cabia direitinho, só nós dois. Eu sei o quanto eu já tentei, o quanto eu já me arrumei, tentei um sabor de gloss novo, tentei um perfume mais forte, mas eu sei também o quanto eu cheguei em casa esperando apertar o botãozinho *da secretária eletrônica e ter nela um recadinho seu. Mas eu sei também que nenhum cara me elogiou tão bem quanto você fazia com o seu jeito de moleque - meu moleque -, sei que nenhum sabor de gloss consegue fazer o gosto do beijos ser igual ao seu e ficar com aquele gostinho de quero mais na minha boca. E meu perfume? Não adianta, eu já tentei, mas eu não suporto mais voltar pra casa querendo a mistura dos nossos cheiros no ar, a sua mão segurando a minha, querendo o seu beijo de boa noite, querendo seu carinho. Depois entrar em casa e ficar lembrando de como você me olhava enquanto eu bebia todo deselegante o vinho que a gente pediu, ficar lembrando como eu gosto quando você esquece que precisa se concentrar no que a gente tá conversando e fica só me olhando, eu te olhando, ali, eterno sabe? Não suporto mais querer fazer ser eterno com você que nem aqui do meu lado agora tá. Tudo bem. Dizem que essas coisas acontecem com as melhores pessoas, pessoas que foram feitas pra ficar juntas no final. Só que o silêncio aqui nesse apartamento no último andar, consegue ser mais alto doque o barulho que essas águas salgadas fazem pra cair do meu rosto pela sua falta. Eu imagino você em todo canto de casa. O amor chegou a tamanho extremo que imagino você em todo lugar que ando, em todo livro que leio, em toda coisa que compro. Você vai voltar logo? Você disse que estaria aqui no final da semana e não chegou ainda. Será que o trem atrasou? Eu só fui jogar fora o chiclete no lixo e pegar a camisa que você todo desastrado sujou de graxa e esqueceu de por na máquina de lavar. Não vou colocar pra lavar, vai sair seu cheiro. Posso ficar com ela? Eu posso? Você está cansado de ouvir minhas piadas? por isso foi embora? Eu sempre me achei tão engraçada e divertida. Será que meu café começou a ficar amargo? É isso, não é? Tá. Posso? Pode. Vira? NÃO, FICA. O que? Ai meu Deus, o que eu to falando? Mas que droga, eu não pensei que você ia fazer tanta falta assim. A gente vive melhor juntos, a dois. Isso não quer dizer que vai ser pra sempre o nosso desiludido e perigoso amor, eu não quero que seja pra sempre se for chato. Quero que seja lindo, e maduro, e caloroso e brilhante, como tava sendo até você sair e esquecer de avisar a hora de voltar. Tudo bem. Dizem que essas coisas acontecem com as pessoas que foram destinadas a ficarem juntas. Eu sei que volta. Você é um moleque, o meu muleque e você não resiste e eu te conheço mais do que conheço a mim, conheço da ponta do dedinho até o último fio de cabelo. Sei que volta. Volta, não volta? E quando voltar vai ficar, não vai? Minha vida tá tão arrumada agora, vem bagunçar ela comigo? Sou exagerada. É só como eu acho que deve ser. A gente nunca sabe quando as coisas vão mudar, e de repente, BUM..mudam do nada. Olha eu, falando de amor, logo eu que achava isso extremamente ridículo..to aqui, falando do amor da minha life. E olha você, que sempre dizia nunca abandonar as pessoas que te causavam impacto, me abandonou…mesmo sabendo que sabe que volta. Mesmo sabendo que ainda vai dar tempo de ser eterno quando você voltar. Você volta logo, loguinho mesmo, não volta? Eu preciso que você volte logo, tô precisando de um pouco de molecagem na minha vida, tô precisando de um pouco de você. Quando é que você vai volta pra dizer que vai ser a última vez que você foi embora de mim, hein?”
Jaqueline Sampaio e Luisa Menin

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Nada de grave

"Para matar a vontade de está muito perto de alguém e não poder o que a gente faz? Chora? Será que chorar resolve? Então eu dizia que aquilo doía muito. Que essas coisas não se podiam fazer com as pessoas. Me doíam muito essas esperas. Essas chamadas que não aconteciam. E quando aconteciam, traziam palavras que não era de bom agrado. Não se pode destratar um amor de uma mulher. Nunca. Só que ninguém sabe o que acontece num quarto de uma garota triste a noite. E as palavras? As palavras já não saíam tão bonitas como antigamente. E eu acabava me recriminando por estár esperando que as coisas sejam do meu jeito, sabendo que não seria. Sabendo que não ia ser do jeito que eu esperava. Quando ia embora, ia triste. Não tinha mais aquele sorriso de orelha a orelha. Além do coração, acabaram levando o sorriso embora também. E Sumiu. Com a jaqueta preta, toca na cabeça, óculos escuros e as mãos no bolso. Não olhava pra tráz porque olhar para traz é uma maneira de dizer que precisava ir embora, mas que havia de deixar a melhor coisa do mundo para traz. Partiu quieta. Sentia vontade de voltar, sim, não escondo isso. Tinha vontade de ligar, de dizer mil coisas, cair nos braços, e não se importar com nada. Mas não podia. Por isso que eu digo que mesmo morrendo por você, não gosto de você. Existem coisas que você fala que não dá pra entender porque você fala, se você sabe que machuca. É incrível como algumas coisas que as pessoas dizem pra você marcam, e até parece que foram marcadas a ferro porque ainda doí. Também não vale a pena fingir que não sinto nada. Se sinto. Tem coisas que não depende de mim. Estou disposta a esperar, mas quanto tempo? Quanto tempo uma ferida pode passar aberta? Quanto tempo um coração pode passar quebrado, e mesmo assim continuar batendo? Me doí a possibilidade de ser só mais uma lembrança. Me doí a possibilidade de mais uma conversa em silêncio. Me doí não saber de que forma puxar assunto. Como é que eu vou te olhar no fundo dos olhos agora? Tenho medo de ter perdido meu tempo contando as coisas pra você. Tenho medo que as coisas sejam difícil agora. Medo de endurecer, de me fechar, medo de guardar-só pra mim.  Não sei como são as coisas dentro de você. Sei que tem algo pra falar, mas não fala por medo. Mas precisava ter dito alguma coisa pra você, porque mesmo se não mudasse em nada,você pelo menos saberia como me sinto. As minhas verdades me bastam, mesmo sendo mentiras. Ando tendo uns dias difíceis, preciso de um colo que ninguém sabe dá. Mas nada,nada de grave. Dias tristes apenas. Dias em que dá vontade de viajar e dormir. E os sorrisos? A muito tempo que não me lembro mais como são os sorrisos. Mesmo que as coisas não estejam saindo como o planejado eu ando leve e suave. Não é nada de grave. Algumas pessoas mudam mesmo. E a saudade que você sente, não é o suficiente pra fazer elas voltarem ao que eram antes. Eu sei o que sentia por você. Ainda lembro. Sei bem o tamanho do meu amor. Sem mistérios, sem rodeios. Nunca escondi. Eu sei muito bem o que ainda sinto por você, mesmo não querendo sentir."
Jaqueline Sampaio

Vem e fica.

 “Então vem… Vem me tirar o sossego, vem e me mostra como ser melhor. Vem, vira minha vida de cabeça pra baixo, vem tirar um sorriso do meu rosto. Vem cuidar de mim, vem logo vem… Eu sei que você quer, assim como eu quero tanto… Vem e diz que eu sou tudo que você sempre quis, vem me trazer aquela paz. Vem, pra eu mergulhar no seu abraço, sentir teu cheiro. Vem fazer minha vida melhor, vem cá, pra eu te fazer feliz. Vem, que eu to há muito tempo sem te ver, que eu to afim dos teus segredos, dos teus defeitos. Vem logo que eu to te que querendo. Vem roubar meu tempo, dizer que ta com saudade. Vem, me pega de surpresa e me leva pra um mundo só nosso… Vem descobrir os meus desejos, vem, pra eu fazer de um jeito que você não vá esquecer… Vem, me beija e me deixa querendo mais… Vem, to afim de sentir teu perfume, to afim de você. Vem, e vem logo amor, que o tempo voa… Vem e fica. Vem e vai embora (pra voltar depois). Vem e me deixa com saudade. Vem aos poucos. Vem pra sempre. Vem dizer o quanto você ama quando eu fico brava, ou o quanto você ama quando finjo que to brava. Vem me abraçar e dizer o quanto você se sentia feliz por fazer isso. Vem, abre a porta, puxa a cadeira. Quer café? Eu te faço. Te faço pra sempre. Te faço na cama - te levo na cama. Vem meu amor. Vem na minha casa, e me deixa olhar de relance e perceber que você tá me olhando também. Tudo soa como um gesto de saudade. As coisas já não tem mais graça como antes. Preciso de alguma coisa. Preciso da voz roca sussurrando no meu ouvido dizendo que me ama. Preciso que você venha, e fique, fique pra sempre. Mas pra sempre é muito tempo né? Que seja por muito tempo então… Que seja por muito tempo. Tempo suficiente para vermos as marcas no corpo, de tanto tempo que se passou um ao lado do outro… Então vem, pra eu ser sua dona, vem cá pra eu te dar carinho, te mimar, assim como você faz comigo. Vem pra eu te contar meus planos mais secretos, vem e trás essa alegria que contagia a minha vida. Vem e me ganha, me perde, me cuida, me jura, amor… Tô te esperando pra gente viver junto, mais uma vez. Vem que eu tenho tanta coisa pra te contar, vem, que eu não paro de imaginar nós dois. Vem, que eu to sonhando acordada juntando o antes o agora e o depois. Vem, me deixa solta, livre, me prende, me liberta, me procura… E quando me achar, por favor amor, me pega, me guarda, e não dá, não doa. Sou tua. És meu.”
Jaqueline Sampaio e Maria Alice

Sorte nossa não ser amor

“E tem umas coisas nada a ver que deixa a gente triste né? Umas coisas que parece que o resto do mundo não ia entender se você parasse pra contar. Porque o resto do mundo sempre tem algo mais importante pra fazer do que parar, sentar e te ouvir. E quebrar a cuca um pouquinho pra tentar entender você. Tem umas coisas que a gente guarda em um cofre, e esquece da chave, esquece por medo. Porque tende a esquecer. Tem umas coisas que ele diz pra mim as vezes que parece que é verdade. Parece que vai fluir. Tem uma coisas que ele não diz, mas que mesmo assim,parece que foram ditas. No final da tarde quero encontrar você que me instiga a sorrir, que abre os braços pra me receber, que faz cara triste quando vou embora e diz:”fica”. No final da tarde quando começarem a ligar as luzes dos postes, vou te esperar no vento gelado, no lugar de sempre. Quero encontrar você que me permite passar a mão no cabelo seco, preto, ruim (…) Encontrar você que me embala nos abraços. Que me recebe com olhar de criança de cinco anos. Que faz carinho pra me consolar. Que me protege do frio. Que beija minha mão, minha nuca, meu pescoço, minha testa… Sabe você? Do jeito que é, que vem sendo e que, por favor, se meus anjinhos forem bons comigo, continuará sendo assim. Eu sei, você sabe e todo mundo já tá meio careca de saber que você não deixa as coisas tão claras e nem dá um stop no seu dia pra me escrever alguma frase bonitinha e nem dedicar uma musica pra mim. Mas tudo bem, continua sendo você, desse seu jeitinho que eu não sei o que tem, mas me deixa toda boba. E confesso, com uma vergonha extraordinária que nunca pensei sentir por causa de menino nenhum, eu gosto de ser boba assim, de achar que toda essa bobice da minha cabeça é culpa sua, e esse meu jeitinho criado pelo seu jeitinho de ver coisas bonitas onde não existe nada, coisa de gente boba! Que mania absurda a minha. De ver coisas onde não tem. As vezes com o seu jeitinho consegue fazer tudo pra me irritar. O gilete sujo de sangue da barba mal feita em cima da pia e tal. Mas eu acabo me tocando que é desse jeitinho que eu gosto. Que é da barba mal feita que eu gosto quando passa pela minha pele. Vamos quebrar as regras, e sejamos claros: é de você que eu preciso. Preciso tanto que troco minha cama agora, pra escrever pra ti. Esqueça as promessas. Cumpra o agora. Sem restrições… Tudo bem se der tudo errado pra gente, convenhamos: nunca fomos aquele tipo de casal que as menininhas desiludidas ficam bisbilhotando pra tentar se apaixonar também. Descobri que gosto até daquelas nossas brigas que quando terminam a gente se beija rindo por não lembrar o por quê de terem começado. Gosto do jeito que você me olha pra pedir desculpa mesmo eu sabendo, bem no fundo, que não passa de irônia e num pouco de piedade pela minha cara de dó que sempre insisto em fazer por saber que você não resiste. A gente adora fazer as coisas um pro outro, ainda mais quando sabemos que não resistimos. A gente não resiste ao que achamos ser existente entre a gente. A gente não resiste à acordar no meio da noite e olhar um pouquinho o outro dormindo só pra tentar decifrar como é que está o sono. A gente não resiste acordar tarde no domingo e ficar discutindo aonde é que vamos arranjar o que comer porque todos os restaurantes já desistiram de esperar por nós. Não resisto a esperar você chegar todo suado do futebol e vir tentando me abraçar só pra gente ficar brincando de pega-pega pela casa e acabar debaixo do chuveiro. Você não resiste, eu sei, quando chega em casa cansado e eu tô na cozinha, com a sua camisa preferida, esperando com o jantar pronto. Não resisto ao seu beijo. Você não resiste ao jeito que faço caretas pra passar maquiagem. Não resisto à como você me olha quando estou me trocando. Você não resiste ficar na sala enquando troco de roupa. Acabamos sempre na cama, nos beijando como se fosse o primeiro encontro, e atrasamos, logicamente, pra qualquer que seja o compromisso chato que teremos que aguentar. A gente não liga, a gente não quer ligar. Nenhum resiste a nenhum. A gente não resiste amar tanto. Se olhar tanto. Sorrir tanto. O importante é a gente. Sempre foi. Nunca escondi que sempre foi com você que eu imaginava meu futuro privilegiado e bem súcedido. Era com você que eu imaginava as dores nas costas depois de passar a noite na praia com a fogueira acessa. Não faz sentido alguém existir tanto dentro do outro como você existe em mim. Não era amor. Mas a vontade de ficar perto, usar o teu moleton largo, fazer chocolate quente no inverno pra ti, é maior que tudo. Era extraordinária a forma com que você conseguia levantar os 28 músculos que eu precisava pra sorrir. Mas não era amor. Desde depois daquele abraço em seguida de beijo na testa fico me perguntando porque dhaxo essas coisas simples mexem tanto com a gente. Porque dhaxo você mexe tanto comigo. Porque alguém tem o cheiro assim? Como o teu? Mas era o teu cheiro. Sempre foi. Sempre foi minha queda. O feitiço. O que me fazia gamar. Esse era o problema-ou a solução. Não era amor. Era melhor.”


Complô meu e da linda da Luisa menin.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nada haver

"Não é você. Não precisa ser você. Não precisa vir mais perto, por que você sabe que me causa arrepio. Não precisa mudar a cor do cabelo, o jeito de falar comigo, como se tudo isso resolvesse metade das coisas que sinto. Não precisa me chamar de "amor" só porque você sabe que eu queria ser o seu. Não precisa perguntar se está tudo bem comigo pela trigésima vez, sabendo que não está. E não precisa perguntar o que me causa tristeza, sabendo que é a terceira palavra do texto. Não chega perto. Não fala nada. Não diz que a gente algum dia pode dá certo, porque isso só piora meu estado. Para de dizer que quer me ver feliz com alguém, sabendo que  o alguém que eu quero ser feliz é você, e eu não posso. Não há necessidade de tanto sofrimento. Não precisa tacar pedra nessa pele aroxada não. Para de dizer que sente saudades, porque não sente. Porque se sentisse, viria aqui. Me telefonava, enviava mensagens, mandava e-mail's. Se sentisse, viria correndo. Pegava um taxi, uma moto, um jatinho, um avião. Para de fingir, de mentir (...) Não quero que me olhe como se tivesse dó. Não quero que passe por mim diferente. Menos homem. Menos certo. Não é você. Porque se fosse, não me tiraria lágrimas dos olhos, ou tiraria? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. Não que eu goste. Não gosto. Mas, você sabe né. Complicado. Não gosto de você porque no meio da noite pego meu travesseiro e abraço pensando que é você. Isso não tem nada haver. Não gosto de você porque você é a primeira pessoa que quero falar quando entro na rede social. Ou porque penso em você quando me perguntam:"De quem você gosta?". Isso não tem nada haver. Não gosto de você porque quero sair arrumadinha na rua, por medo de encontrar você. Definitivamente: Nada haver. Não gosto de você só porque minto que não gosto. Só não entendo porque as coisas triste não vão embora da gente. Porque quando estamos tristes, nos torturamos ouvindo músicas tristes,escrevendo que estamos tristes,e vendo e lendo coisas que nos deixam mais tristes (...) Porque será que a gente sabe que vai passar, mas na hora da dor, a gente esquece disso? Porque as coisas tem que ser assim? A resposta está na pergunta. Porque elas têm que ser assim. Porque se não fosse assim, não haveria pensamentos instantâneos de madrugada. Nem música velha te lembrando ele. Porque se não fosse desse jeito, não haveria em quem pensar na aula chata de geografia. Basicamente isso. Não gosto de você só porque hoje tá frio, e eu queria muito, mas muito você aqui do meu lado. Com meias, cobertas, edredon, chocolate quente ou sopa e você, você, você (...) Queria que fosse diferente. Que fosse legal. Queria ser o seu raio de sol, sua boneca de porcelana que você cuidaria com todo cuidado. Queria que com você fosse diferente, que com você fosse melhor. Mas tudo bem. As marcas ficaram tatuadas, mas tudo bem. Me perguntaram se não doí amar um amor não correspondido. Mas a gente se acostuma, né minha querida? A gente acostuma..."
Jaqueline Sampaio

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sem controle


"Tentando responder pra mim mesma o que você tem que me prende tanto a você. Tentando descobrir, desvendar o que você tem nesse olhar que me hipnotiza e me deixa tão solta. Observando se é o jeito que você fala comigo que me deixa sorrindo a toa em quanto lavo a louça. Pensando porque será que quando te vejo em um lugar, e vou embora no final da tarde, acabo indo o caminho inteiro sorrindo. Procurando um meio de entender, porque a gente, continua querendo quem não quer a gente. Amando quem não ama a gente. Custo a entender, porque a gente gosta tanto de se maltratar. Porque será que quando estou com você, não consigo raciocinar direito? Tenho uma curiosidade imensa sobre isso.Ainda sinto como se você soubesse que as coisas que você faz, me fazem mal, mas mesmo assim não as deixa de fazer. Sinto também que você ainda lembra de tudo. E que sente saudades. Assim como eu. E então você vem tentar matar a saudade, brincando que ainda gosta de mim, que o sentimento tá no lugar certo, que nada acabou. E depois você vai embora (de novo) e leva consigo o meu coração, e traz de volta, e leva de novo (...) Mas você não entende que não é certo isso, que não é bonito isso. Não entende que agora as coisas são diferentes. Que mesmo eu olhando e sorrindo, e babando. Não gosto. Eu sei que é lindo, sei que para o trânsito, sei que mexe, que balança. Mas não pode. Não posso. Dizer que não fico feliz quando você chega perto pra vir falar comigo seria hipocrisia, mas é que ando meio acostumada, e você já não me faz tanta falta assim. Mas você me conhece. Eu não sei fingir sempre. As vezes escapa um olhar meu olhando pra você dizendo:"Meu Deus, como ele é tão lindo, e tão meu." As vezes escapa a minha felicidade sutil quando você chega perto. Ou longe, só de ouvir a voz.Fico firme e forte. Repito que está tudo bem. Porque a culpa não é minha. Nem sua. É algo que acontece dentro da gente. Sem controle. Tranqüila. Mesmo tendo essas partes do meu corpo implorando por você. Tudo bem. Talvez com o tempo essa obsessão acabe.Ou só adormeça ela, pra o dia em que você for embora, e voltar, ela esteja ainda aqui. E mesmo que o mundo deixe de ser mundo, e as coisas bonitas deixem de ser tão bonitas, você vai está em um lugar que só eu sei que vai estar. Mesmo que esse lugar quebre outras vezes. Mesmo que exista outros."
Jaqueline Sampaio

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Carência

"Queria um abraço agora de qualquer gente de bom coração. Ando com uma carência enorme ultimamente. Uma vontade absurda de alguma coisa que me faça ir além do que sempre sonhei pra mim. Hoje é um daqueles dias em que criei esperança pra esperar que algumas coisas mudem. Mesmo sabendo que elas nunca vão mudar. Ando também, com uma vontade absurda de todos os afetos, de todos os presentes, de todos os momentos, de todos os pensamentos instantâneos que alguém legal pode sentir. Ando com uma preguiça também, uma preguiça de andar sozinho, falar sozinho, amar sozinho (...) Ando com uma vontade enorme de me entregar pra alguém bom o  suficientemente pra mim. Ando com uma vontade enorme e absurda de uma coisa que me faça sorrir constantemente. Ando cansada também. Muito cansada. Cansada de tudo que começa certo e acaba errado. Cansada das mesmas conversas. Tudo igual. Afim de receber todos os correios elegantes que quiserem me enviar. Afim de ganhar todos os beijos roubados daquele cara que mora na rua da minha casa, que sempre olhou pra mim, mas que nunca olhei de volta. Afim de esquecer a unica coisa que não paro de pensar: você. Afim de esquecer o cheiro, o cabelo, o sorriso. Tudinho. Afim de esquecer minha mão em cima da sua sem querer ou de propósito. Preciso esquecer-te. Esquecer todos os domingos em praças. Todos os olhares trocados. Todos os abraços demorados. Afim de parar de ver nossos vídeos da quinta-feira a tarde. Ando com uma vontade de ser melhor. Mas não melhor pra você. Melhor pra mim. Porque todas as vezes que tentei ser boa o suficiente pra você, sempre chegava outra e saia melhor que eu. Afim de ser melhor pra mim. Queria viajar também. Mas como não posso, fico por aqui. Eu ainda vou encontrar uma coisa que nunca mas me faça sentir carência. Uma coisa que sare toda e qualquer dor de cotovelo como essa. Sei lá né, a gente nunca sabe. O cara que vai me levar de cavalinho na chuva pode tá na china, ou aqui, né? Pode tá aqui também, do meu lado e eu nem perceber. Eu vou te esquecer menino. Mesmo te vendo todo dia, ou quase sempre. Mesmo ouvindo "forçada" músicas que me lembre você.Eu esqueço. Mesmo que eu não esqueça o chamego da voz doce. Nem que eu não resista de te chamar de "meu" em início de alguma frase. Esqueço sim. Mesmo sendo péssima em esquecer grandes amores. Não descobri ainda como, e não descobri ainda quando, mas repito pra eu toda vez que te vejo sorrindo com outra pessoa a não ser comigo: eu vou te esquecer. É molesa. Eu vou esquecer. Mesmo mentindo que é fácil. Mesmo tendo dito isso outras vezes, e mesmo assim não ter esquecido. Dessa vez vai ser diferente, eu vou esquecer você. Esquecer quem mesmo?"
Jaqueline Sampaio